Atualmente, somos confrontados com tempos difíceis e de grandes desafios… Desde que o vírus Sars-Cov-2 (Covid-19) chegou a Portugal, tem sido incerta a possibilidade de voltarmos à normalidade. Como tal, as circunstâncias atuais reforçam algumas temáticas que em tempos pareciam esquecidas ou até desvalorizadas, como é o caso da importância da vacinação. Nunca se ouviu tanto falar da “vacina” e da “imunidade de grupo” como agora. Neste artigo daremos a conhecer alguns conhecimentos a reter sobre o tema!
O que é uma vacina?
Uma vacina corresponde a uma preparação de antigénios, partículas que o nosso organismo não reconhece embora sejam semelhantes a estruturas do microorganismo que provoca a doença. Ao ser administrada, dará origem a uma resposta específica do sistema imunitário (o sistema de defesa do nosso organismo) contra determinados microrganismos, criando assim uma proteção (imunidade) contra a doença causada por esses mesmos agentes patogénicos.
Portanto, a vacinação tem uma função preventiva, não causando doença. No entanto, também não a cura, mas sim evita o seu desenvolvimento ou atenua os sintomas da doença caso esta, mesmo assim, venha a ocorrer.
A vacinação é uma escolha individual?
Não! Além de trazer benefícios a nível individual, a vacinação de uma elevada percentagem da população (taxa de cobertura vacinal elevada) permite que se forme a imunidade de grupo. Esta, por sua vez, é responsável, em parte, pelo controlo e/ou erradicação (desaparecimento da doença numa dada região) das doenças.
Então, o que é a imunidade de grupo?
A imunidade de grupo assenta no princípio que se uma grande parte da população estiver vacinada, e portanto, imune a determinado vírus ou bactéria, garante que, se algum indivíduo for infetado, a doença não se espalha pelo resto da população.
Para além disso, a imunidade de grupo permite proteger alguns grupos que não podem, em algumas situações, ser vacinados. Como exemplo temos o caso de grávidas ou de crianças que não têm ainda idade para que lhes sejam administradas determinadas vacinas ou até doentes com o sistema imunitário enfraquecido, devido a algumas doenças.
A vacinação é um ato de proteção, é um direito, mas também um dever, fundamental para toda a sociedade.
Medo ou desconfiança em se vacinar?
Existe, nos últimos anos, uma vaga de medo e desconfiança em relação às vacinas. Embora em Portugal ainda não seja evidente, pela Europa a não vacinação, já deu origem a alguns surtos, como por exemplo surtos de sarampo.
As pessoas que não se querem vacinar não valorizam o efeito das vacinas porque não conhecem os seus efeitos e consequências. Tal comportamento é errado, visto que os programas de vacinação têm permitido erradicar muitas doenças, como a varíola, e controlar outras como é o caso da poliomelite, do sarampo, entre outras.
Felizmente, a maioria dos pais atualmente, e também alguns profissionais de saúde, nunca viram uma criança paralisada por poliomelite, a sufocar por causa da difteria, com lesões cerebrais por causa do sarampo ou a morrer por causa de tosse convulsa, não tendo portanto a noção da gravidade dessas doenças e dos benefícios incalculáveis conferidos pela vacinação em larga escala.
As vacinas são seguras?
Após vários anos de experiência e milhões de vacinas administradas em todo o mundo, percebeu-se que as vacinas têm um elevado grau de segurança, eficácia e qualidade, logo são seguras. Por isso, todas as crianças e todos os adultos devem cumprir os esquemas de vacinação recomendados para a sua idade e o seu estado de saúde.
Programa Nacional de Vacinação
O Programa Nacional de Vacinação é um programa universal gratuito e acessível a todas as pessoas presentes em Portugal. Tem como objetivo a proteção eficaz através da vacinação, quer dos cidadãos, quer da população em geral contra as doenças com maior potencial de constituírem ameaças à saúde pública e individual.
Sabe quando foi criado, em Portugal, o Programa Nacional de Vacinação (PNV)?
O PNV foi criado em 1965 e desde essa data está em permanente revisão e melhoria, visando, vacinar o maior número de pessoas com as vacinas mais adequadas, o mais precocemente possível, de forma duradoura. Assim, promove a proteção individual sendo uma mais-valia para a Saúde Pública.
Em 1965, ano da implementação do PNV, este conferia proteção contra 6 doenças, enquanto que o PNV em vigor (PNV 2017) confere proteção contra 12 doenças. Algumas das vacinas não incluídas no PNV embora confiram proteção a quem as toma, não demonstraram, até à data, proporcionar tantos ganhos na saúde da população como as do PNV.
As vacinas para integrar o PNV são selecionadas com base na epidemiologia das doenças, na evidência científica do seu impacto, na sua relação custo-efetividade e na sua disponibilidade no mercado.
Conhece estas doenças? Descubra as diferenças…
Entre 1956 e 1965 (anos anteriores ao estabelecimento do Programa Nacional de Vacinação em Portugal) os casos declarados e as mortes por estas doenças eram muito superiores aos atuais:
Perguntas frequentes sobre a vacinação
Todas as pessoas têm direito à vacinação?
Sim! Todas as pessoas têm acesso à vacinação gratuita e segura pois os programas nacionais de vacinação permitem que todas as pessoas recebam as vacinas de acordo com a sua idade e em serviços de saúde competentes.
O que deve fazer se tiver uma vacina em atraso?
Se por qualquer motivo houver atraso numa vacina, dirija-se ao seu centro de saúde para lhe ser administrada a vacina em falta, mesmo que já tenham sido ultrapassadas as idades ou datas recomendadas.
Todas as crianças devem ser vacinadas?
Sim! Para se conseguir controlar uma doença é necessário que uma grande proporção de pessoas esteja vacinada. A eliminação do sarampo, por exemplo, requer que pelo menos 95% das pessoas estejam vacinadas. Cada pessoa não vacinada corre o risco de adoecer e aumenta o risco de transmitir a doença na comunidade.
Ao fim de quanto tempo após ser administrada a vacina é que fica protegido?
O tempo até se atingir a proteção contra a doença depende da vacina. Para algumas vacinas, como é o caso da difteria, tétano e tosse convulsa, são necessárias 3 doses em intervalos recomendados para se considerar que existe proteção completa contra essas doenças. São também necessários reforços regulares para a manutenção da proteção ao longo do tempo.
Mesmo nas vacinas que necessitam de várias doses, após cada administração já poderá haver alguma proteção (incompleta), que surge geralmente entre 2 semanas ou mais, após cada dose.
Concluindo, como pode constatar neste artigo a Vacinação não só é importante para se proteger de algumas doenças, como também para proteger a comunidade da propagação das mesmas. Por isso, faça a sua parte, vacine-se e vacine a sua família e contribuia para um estilo de vida e ambiente saudáveis.
Alguma dúvida sobre o assunto aqui abordado, saiba que a equipa da Farmácia Aguiar está disponível para cuidar de SI.